Relógio quebrado

Estou começando a perder a noção dos dias, não sei se hoje é sexta ou sábado ou domingo. Começo a confundir os dias úteis com a sensação do fim de semana. Vivendo enclausurado nesse apartamento de fundos onde quase não entra luz, a não ser pelas frestas das janelas entreabertas. Já não sigo mais as horas que me foram impostas para fazer as tarefas diárias.

Queria sair um pouco desse habitat onde tudo se congela, meus pés, minhas mãos, e até meus sentimentos. Mas não quero largar dessa roupa confortável que me veste para me apropriar de alguma indumentária da última coleção outono/inverno. Prefiro meu moletom puído, que tenta me esquentar, do que gastar alguns minutos pensado numa composição cromática para não errar mais uma vez na escolha do look, depois de tanto errar na vida.

Os dias se passam, e tento evitar sair ao máximo desse ambiente que me consola e esconde-me dessa indiferença externa. Continuarei evitando tudo que cessa meu ar, que me causa calafrios, e não me faz sentir bem. E continuarei aqui, debaixo desse cobertor, que me esquenta sem pedir nada em troca, e me consola sem esperar algum retorno.

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