A grama do vizinho é mais verde do que a minha

Ontem fui ao Cine Humberto Mauro, e assisti a um filme com idioma original de um dos idiomas que mais adoro nesse mundo, o Francês. Quando saí da sessão, pensei um pouco sobre o que havia acabado de assistir, e depois pensei sobre essa paixão pelo desconhecido ou pelo o que não faz parte do nosso cotidiano. De certo modo, é normal gostar de algo que não está tão banalizado no nosso dia a dia, como falar Francês, no meu caso.

Quem já assistiu Meia Noite em Paris lembra da história do Gil, que sempre idolatrou antigos escritores americanos como Ernest Hemingway e sonhava em ser como eles. Além do mais, ele sonhava em viver na época que esses escritores viveram. Temos a vontade de viver em outra época por achar que tudo seria melhor. E “Meia Noite em Paris” fala justamente sobre isso, você pode viver em qualquer época que sua vida continuará com as mesmas alegrias e tristezas de sempre. Ok, que lindo seria viver na Nouvelle Vague ou outras épocas tão aparentemente maravilhosas como essa, mas nada muda, as frustrações continuam as mesmas, só muda a data.

Sobre a questão do idioma, eu acho lindo o jeito que se fala idiomas como o Francês, Inglês ou Espanhol. Assisto filmes legendados só para ouvir os nativos falando seus idiomas. Gosto da rapidez do Espanhol, da sensualidade do Francês. Apesar de hoje termos a facilidade de consumir conteúdos em outros idiomas, costumo achar que é muito mais cool um “fuck” no meio de uma frase do que um “porra”.

Voltando ao assunto cinema, o quintal do vizinho continua sendo sempre mais verde. Acho lindo vivermos em uma época onde é possível consumir coisas do mundo todo, mas ainda esquecemos do que é produzido no nosso país. É preferível comer um cupcake de chocolate italiano a um bolo de fubá e farinha de trigo; ouvir uma banda do Sul da França do que ouvir uma banda que cante em Português; ou assistir ao último filme de Hollywood do que o filme de um cineasta que é do seu país e produz um trabalho legal, mas não tem tanta visibilidade.

Muitas pessoas teimam que o Brasil não produz filmes bons, que é difícil entrar na sala de cinema e assistir um bom filme feito por terras tupiniquins. O problema nem é todo nosso, já que algumas poucas produtoras monopolizam a maioria das salas de cinema pelo Brasil com filmes meia-boca. Mas também tem um pouco da nossa preguiça de conhecer o que de bom é produzido por nós. Se você não conhece Eduardo Coutinho, Karim Aïnouz, Glauber Rocha, Claudio Assis ou Fernando Meirelles, realmente é fácil acreditar que nada de bom é produzido pelas bandas de cá.

De fato, eu só queria acordar amanhã e ter menos paleta mexicana e mais picolé comprado na Praça da Estação.

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