Não deveria existir o Dia da Consciência Negra

Não seja um comentarista de portal e, por favor, leia o texto antes de pensar em algo pelo título. Não podia deixar o Dia da Consciência negra terminar sem eu escrever sobre, e aproveitar para falar sobre esse dia que realmente não devia existir.

Eu nunca tive uma consciência exata de que sou negro. Algumas pessoas nem consideram que eu seja. Mas, tenho a sensação de que, em certos casos, falar que você é moreno, pardo, é como se “ufa, escapei do peso que é ser negro nessa sociedade racista”. E realmente ser negro no Brasil não é uma coisa fácil, considerando que você tem menos oportunidades que uma pessoa branca, que se você vai em alguns locais os seguranças olham com olhares transversos para você. Por essas e outras, realmente não é fácil.

Quanto mais temos interesse em pesquisar sobre diversos assuntos, ora vamos nos fascinando com tanta diversidade de conteúdo, ora vamos nos horrorizando com outras coisas. Não fico nem horrorizado, mas triste em saber que menos de 1% dos professores do ensino superior são negros, ou que mesmo agora tendo a oportunidade de estar presentes como alunos nas universidades, negros ainda sofrem racismo nesse meio a exemplo da Stephanie Ribeiro, que sofreu racismo na PUC de Campinas por ser aluna do curso de Arquitetura e Urbanismo como bolsista do ProUni e ser negra.

Não dá para tolerar mais. Não dá para ficar calado. E o que me indigna é ouvir pessoas que falam que hoje se fala muito sobre racismo, que tudo hoje em dia é racismo. Mas acontece é que hoje, apesar de nós, negros, termos pouca voz na sociedade, ela está aumentando, não vamos e nem aguentamos mais ouvir calados seus insultos racistas.

Pegando como exemplo a cidade de São Paulo, a taxa de negros mortos pela polícia é 3 vezes maior do que a de brancos. Como é possível achar normal uma notícia como essa e não achar que isso acontece pelo fato de o preconceito contra negros ainda estar tão presente na sociedade.

Certo dia uma pessoa falou no Facebook que “se as pessoas ainda não aceitam nem o fim da escravidão, vão aceitar programas assistencialistas e de inclusão?”. Sim, amigos, não falem em meritocracia quando um jovem  negro da periferia tem muito menos oportunidades de ascensão social do que um jovem branco. Por favor, eu peço.

Não deveria existir o Dia da Consciência Negra, apesar de ainda se fazer necessário. Enquanto houver racismo e negros tiverem menos oportunidades e serem descriminados pela cor, ainda se faz necessário esse dia. Mas espero acordar no dia em que ele não se fizer mais necessário. Por fim, a próxima vez que você quiser falar em meritocracia e que racismo contra negros não existe no Brasil, olhe na universidade onde você estuda e conte nos dedos de uma mão quantos negros têm na sua turma.

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