Perguntas ainda sem respostas

À medida que crescemos, não de tamanho, mas em relação ao aumento das nossas responsabilidades perante nós mesmos, nossa família e a sociedade, perguntas parecem ser infindáveis. Na verdade, a vida é repleta de questionamentos que às vezes são só a reprodução de um discurso já batido, como “Quando é que sai o casamento?”, ou são questionamentos mais profundos, em relação à nossa existência ou a padrões impostos que já não são mais aceitos.

O questionamento da vez veio da minha mãe. Me perguntou se quando eu terminar minha graduação ela poderá se mudar pra Belo Horizonte ou onde eu for morar pra morar junto comigo. Eu que prefiro ter asas invisíveis e alçar voos, fiquei sem saber o que responder.

Lembro que minha mãe também já teve essas asas invisíveis. Viajou pra estudar, pegou carona com desconhecidos e foi atrás do pai que não conheceu. Pra quem ainda pouco voou e quase não tem experiência nisso, talvez voar com quem é experiente seja a forma de encontrar respostas pra perguntas que atormentam e atalhos pra difíceis caminhos. Talvez só de estar perto seja bom.

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Dos amores que se perdem por aí

Acho curioso quando alguém coloca sua descrição no seu blog pessoal como se tivesse sido escrito por outra pessoa. É uma possibilidade, mas, se o objetivo é ser um blog que alguém conta suas vivências e assuntos que cercam seu mundo, é engraçado pensar o porquê de sua descrição teoricamente ter sido escrita por outro alguém.

“Pedro estudou Relações Internacionais, mas foi na moda que se descobriu. Ele, por sempre ser instigado pelo novo, acredita ser um grande caçador de tendências.”. Um blog pessoal, e sua descrição ser escrita em terceira pessoa é até um pouco paradoxal. Muitos acreditam que é mais fácil ser menos julgado quando tem alguém falando por nós do que nós falando de nós mesmos.

Quando vamos à entrevistas de emprego, por exemplo, e nos pedem para falar três qualidades e três defeitos, se torna muito mais fácil falar os defeitos do que as qualidades. Temos medo de parecer pedantes, egoicos, quando muitas das vezes vamos estar sendo apenas sinceros com nós mesmos e com o outro.

O outro falar por nós também pode ser justificado por ser algo “très chic”. Quando grandes jornais e cineastas falam que um filme é muito bom, que vale a pena ser visto, certamente você  se sente mais disposto a assistí-lo do que se apenas o diretor falasse sobre.

Um texto escrito sem pretensão alguma sobre seu tema, mas, talvez, como uma vontade de florescer novamente a vontade de escrever no autor deste blog. Mas ela volta, tenho certeza, pois, uma paixão pode até durar uma noite de verão, mas o amor pela escrita é similar ao de mãe: não acaba.

As memórias guardei todas no disquete

Eu fui uma pessoa bem tardia em começar a mexer com computador e outras parafernálias tecnológicas. Como eu cresci numa cidade bem do interior mesmo, era difícil ter acesso às tecnologias no ido ano de 2008. Por esse atraso, quando ganhei meu primeiro computador fomos eu e minha mãe começar um curso de informática.

É estranho perceber que antes fiz curso para aprender a mexer com computador, e hoje as coisas são tão mais fáceis. Ainda é necessário estudar para saber formatar um computador ou mesmo a construir um nem que seja assistindo tutoriais, ou até mesmo para aprender a mexer em um. Mas quase não se faz mais necessária a técnica “ASDF” para se aprender a digitar rapidamente. Se digitar catando milho funcionar, vai nessa, apesar de ser esteticamente feio para alguns, dá para se conseguir razoavelmente escrever um artigo, poema ou só mais um texto no Facebook.

Minhas memórias guardei todas no disquete. Ao menos durante a época do curso. Onde será que eles foram parar? Os disquetes, eu pergunto, não as minhas memórias. Sumiram, assim como quase tudo na vida. Tenho sorte de minha memória não se tornar obsoleta a cada tecnologia melhorada. Ainda bem que consigo guardar as memórias da época em que aprendi a mexer em computadores e a guardar as memórias no disquete.

Férias

Passei as férias de verão na casa dos meus pais. Me sinto num seriado americano falando férias de verão, mas não sei muito bem que definição certa nós damos para as férias dessa época do ano. Talvez, férias de fim de ano mesmo, não sei.

Ontem caiu um passarinho de uma árvore perto da casa dos meus pais, filhote ainda, mal sabe andar, quem dirá alçar voo. Peguei o pássaro, não sei qual sua espécie, e levei lá para casa. Meus pais vão cuidar dele até ele ficar maior e conseguir voar para eles poderem o soltar.

De uns tempos para cá, meu pai descobriu outra habilidade que ele não pensava ter, e começou a fazer móveis. Mesa. Cadeira. Armário. Sugeri que ele fizesse um curso para melhorar suas habilidades, já que ele ainda não sabe fazer alguns tipos de móveis. Tinha um dos que ele fez na varanda, sem uma utilidade aparente, que mais parece ter sido referenciado do tronco de algum ser humano. Perguntei minha mãe o que era aquilo, no que ela me respondeu: “É arte”.

Minha tia vai me dar sua máquina de escrever. Ela já não a usa mais, então, eu a pedi para levar e usar na decoração do meu quarto. Ela ficou sem entender o que eu ia fazer com um objeto que nem para ela mais tem utilidade. “Hoje tudo se faz no computador”. Falei com ela que é vintage, que ia ficar atraente no quarto e eu poderia usar para escrever alguns textos. Ela me entregou a máquina, e já guardei para levar. Mas ela ainda continua sem entender que utilidade eu vi no trambolho.

De tudo isso, só vai restar a saudade. E o desejo de retornar.

Sobre a necessidade de desatar nós

Gervasio Troche

É difícil desatar nós. Na verdade, uns são mais fáceis; já outros, são um verdadeiro tormento. O nó de pescador, por exemplo, acho quase impossível. Tão apertado que é, que se me entregarem algo amarrado a esse tipo de nó, e eu precisar desamarrar, não penso duas vezes em pegar uma faca ou tesoura para cortar.

Acredito que para a maioria das pessoas seja difícil mesmo desapegar. Algumas pessoas conseguem facilmente, mas acredito que a maioria, não. São relacionamentos opressores, amizades que nos pesam, empregos que são confortáveis demais, ou mesmo aquela camiseta que já nem se usa mais.

A função de um nó é nos dar a ilusão de que está tudo bem, que nada precisa ser mudado. “Continue assim, do jeito que está, mudar só vai piorar as coisas.”. Acreditamos, porque é mais fácil ficar ali, no quentinho. Não esse calor de quarenta graus Celsius que tem feito ultimamente, mas aquele quentinho, que afaga, conforta.

Os nós pessoais, da vida, acredito existir dois tipos: aqueles que nos machucam, nos ferem, mas, mesmo assim, é um nó difícil de desatar. E aqueles que nos deixa confortáveis, acostumados, e cria o medo de sair desse conforto, desse lugar quente que mais parece colo de mãe. Acho que esses tipos de nós, às vezes, são até mais difíceis do que o nó de pescador para desatar. E, nesse caso, não adianta pegar uma faca ou tesoura para cortar. Para esses tipos, só o tempo funciona. É mais demorado, gera angústia, mas acredito ser a única maneira.

Ensinamentos passados por gerações

Certa vez numa conversa que tive com uma amiga sobre moral, valores e bons costumes , lembro de chegarmos num momento em que ela falou: “Ah, eu acho que isso seja certo porque meus pais me criaram assim”. O problema de acreditarmos piamente nisso é que fazemos ou deixamos de fazer algumas coisas e a julgar outras com base nisso.

Meus pais me deram uma criação primorosa, mas hoje já não concordo com algumas das coisas que aprendi com eles. Infelizmente, nossos pais foram criados numa sociedade machista e com muitos valores enraizados que eles nos passam como algo natural, imperceptível.

Uma amiga escreveu uma publicação no Facebook que vai nessa lógica dos ensinamentos passados por geração:

“Sei bem que a gente acaba, em vezes, participando de algum tipo de preconceito pelo jeito que o lugar onde vivemos o transforma em algo natural… Isso faz a gente pensar que tudo bem alguns comentários passados de geração em geração. Mas não, preconceito disfarçado de costume ainda é preconceito; camuflar ele só gera mais ignorância”.

Não é questionar se seus pais ou os meus são os piores do universo, mas aprendi coisas que não acredito serem certas.

O problema em acreditar cegamente na máxima de que se um ensinamento foi passado por gerações é de que, dependendo da roupa que a mulher está usando, por exemplo, ela é uma baita de uma periguete; há quem acredite nisso, e use para julgar a indumentária de outras pessoas, mas roupa não faz caráter de ninguém. E, mesmo que fizesse, que direito temos de meter o bedelho no que outra pessoa usa ou deixa de usar?

Ainda acredito que pessoas mais velhas que eu são livros vivos, com baitas histórias de vida e ensinamentos. Numa conversa com minha tia hoje, aprendi a colocar gelatina sem sabor quando eu for fazer uma musse de maracujá para ficar mais consistente. Só tento ligar meu alerta imaginário dependendo do rumo que a conversa toma para não aprender coisas que não sei como um dia foram ditas como certas.

Um norte

No último dia do ano passado escrevi uma lista das coisas que queria fazer esse ano. Agora, escrevo uma lista com os desejos para 2015; menos para ser uma lista de desejos, e mais para ser uma lista de metas: as duas palavras têm uma grande diferença para mim. Acabei por não conseguir fazer tudo do que me propus a fazer esse ano, e espero que para o próximo seja diferente.

Tentativas de rumo para 2015:

– Ler mais livros, e menos texto de internet;
– Escrever mais, sempre mais e melhor;
– Assistir mais filmes;
– Ir ao Inhotim;
– Ser fluente em inglês, ou quase isso;
– Parar de ler comentários de portais de notícia;
– Viajar para qualquer lugar que eu não tenha ido, por mais próximo que seja, apenas que sirva para me conectar com o desconhecido;
– Fazer trabalhos da faculdade com a maior antecedência possível;
– Conseguir um estágio como redator publicitário;
– Experimentar novas habilidades, a fotografia, talvez;
– Precisar menos da atenção dos outros.

O que foi legal em 2014:

– Consegui o primeiro estágio. Por fim, não era a área que eu queria, mas tive a oportunidade de aprender bastante com pessoas incríveis;
– Viajei pela primeira vez a Ouro Preto com um amigo;
– Comecei a ler sobre feminismo, movimento negro e luta de minorias, e são temas que quero continuar lendo e sempre colocando em prática;
– Conheci pessoas incríveis, tanto pessoalmente quanto pela internet;
– Me tornei colaborador do site Follow The Colours, um dos sites que mais adoro, e agora estou lá escrevendo sobre assuntos que gosto de ler;
– Mudei de casa, quase o melhor feito do ano.

O que não foi legal em 2014:

– Perdi tempo com discussões no Facebook que vi não levarem a nada. Passei a entender que é muito mais saudável e enriquecedor uma conversa numa mesa de bar do que gastar meu teclado discutindo com alguém;
– Mudei de casa, mas como mudei para uma república, fiquei boa parte do ano sem uma escrivaninha, o que dificultou um pouco a vida;
– Não consegui ir ao Inhotim, por isso, acabou entrando na lista do próximo ano de novo. Sad.