As memórias guardei todas no disquete

Eu fui uma pessoa bem tardia em começar a mexer com computador e outras parafernálias tecnológicas. Como eu cresci numa cidade bem do interior mesmo, era difícil ter acesso às tecnologias no ido ano de 2008. Por esse atraso, quando ganhei meu primeiro computador fomos eu e minha mãe começar um curso de informática.

É estranho perceber que antes fiz curso para aprender a mexer com computador, e hoje as coisas são tão mais fáceis. Ainda é necessário estudar para saber formatar um computador ou mesmo a construir um nem que seja assistindo tutoriais, ou até mesmo para aprender a mexer em um. Mas quase não se faz mais necessária a técnica “ASDF” para se aprender a digitar rapidamente. Se digitar catando milho funcionar, vai nessa, apesar de ser esteticamente feio para alguns, dá para se conseguir razoavelmente escrever um artigo, poema ou só mais um texto no Facebook.

Minhas memórias guardei todas no disquete. Ao menos durante a época do curso. Onde será que eles foram parar? Os disquetes, eu pergunto, não as minhas memórias. Sumiram, assim como quase tudo na vida. Tenho sorte de minha memória não se tornar obsoleta a cada tecnologia melhorada. Ainda bem que consigo guardar as memórias da época em que aprendi a mexer em computadores e a guardar as memórias no disquete.

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Férias

Passei as férias de verão na casa dos meus pais. Me sinto num seriado americano falando férias de verão, mas não sei muito bem que definição certa nós damos para as férias dessa época do ano. Talvez, férias de fim de ano mesmo, não sei.

Ontem caiu um passarinho de uma árvore perto da casa dos meus pais, filhote ainda, mal sabe andar, quem dirá alçar voo. Peguei o pássaro, não sei qual sua espécie, e levei lá para casa. Meus pais vão cuidar dele até ele ficar maior e conseguir voar para eles poderem o soltar.

De uns tempos para cá, meu pai descobriu outra habilidade que ele não pensava ter, e começou a fazer móveis. Mesa. Cadeira. Armário. Sugeri que ele fizesse um curso para melhorar suas habilidades, já que ele ainda não sabe fazer alguns tipos de móveis. Tinha um dos que ele fez na varanda, sem uma utilidade aparente, que mais parece ter sido referenciado do tronco de algum ser humano. Perguntei minha mãe o que era aquilo, no que ela me respondeu: “É arte”.

Minha tia vai me dar sua máquina de escrever. Ela já não a usa mais, então, eu a pedi para levar e usar na decoração do meu quarto. Ela ficou sem entender o que eu ia fazer com um objeto que nem para ela mais tem utilidade. “Hoje tudo se faz no computador”. Falei com ela que é vintage, que ia ficar atraente no quarto e eu poderia usar para escrever alguns textos. Ela me entregou a máquina, e já guardei para levar. Mas ela ainda continua sem entender que utilidade eu vi no trambolho.

De tudo isso, só vai restar a saudade. E o desejo de retornar.