Samba da meia noite

Saímos para fazer samba. Falando a verdade verdadeira, saímos para beber, espairecer. Não foi uma semana fácil em nossas vidas. Precisávamos espairecer.

Bom músico que é, não sai de casa sem algo que possa fazer um batuque, nem que seja uma caixa de fósforo, que certamente nunca esquece, já que sempre bebe cerveja com a companhia do seu cigarro de palha.

Eu que nem sabia que era músico, vagando  pela madrugada, fizemos um samba que nem samba sabemos se é.

O céu estrelou, o povo dormiu
Eu pelas ruas, você já deitada
Meu amigo Caetano certo está
Gente nasceu pra brilhar
Pra morrer é que não foi

E assim fomos, caminhando e batucando em cada mesa de bar que encontrávamos aberto, até o dia raiar. Os problemas começam sempre na mesa do bar e acabam de manhã na primeira golada de um café sem açúcar. Talvez dessa vez tivéssemos atinado para a realidade.