Sobre a necessidade de desatar nós

Gervasio Troche

É difícil desatar nós. Na verdade, uns são mais fáceis; já outros, são um verdadeiro tormento. O nó de pescador, por exemplo, acho quase impossível. Tão apertado que é, que se me entregarem algo amarrado a esse tipo de nó, e eu precisar desamarrar, não penso duas vezes em pegar uma faca ou tesoura para cortar.

Acredito que para a maioria das pessoas seja difícil mesmo desapegar. Algumas pessoas conseguem facilmente, mas acredito que a maioria, não. São relacionamentos opressores, amizades que nos pesam, empregos que são confortáveis demais, ou mesmo aquela camiseta que já nem se usa mais.

A função de um nó é nos dar a ilusão de que está tudo bem, que nada precisa ser mudado. “Continue assim, do jeito que está, mudar só vai piorar as coisas.”. Acreditamos, porque é mais fácil ficar ali, no quentinho. Não esse calor de quarenta graus Celsius que tem feito ultimamente, mas aquele quentinho, que afaga, conforta.

Os nós pessoais, da vida, acredito existir dois tipos: aqueles que nos machucam, nos ferem, mas, mesmo assim, é um nó difícil de desatar. E aqueles que nos deixa confortáveis, acostumados, e cria o medo de sair desse conforto, desse lugar quente que mais parece colo de mãe. Acho que esses tipos de nós, às vezes, são até mais difíceis do que o nó de pescador para desatar. E, nesse caso, não adianta pegar uma faca ou tesoura para cortar. Para esses tipos, só o tempo funciona. É mais demorado, gera angústia, mas acredito ser a única maneira.