O Banheiro do Papa

Hoje, assisti ao filme O Banheiro do Papa. O filme gera vários questionamentos, principalmente o limite que algumas instituições têm em nossa vida. O filme conta a história de como a visita do Papa João Paulo II a Melo é motivo de esperança pra várias pessoas. Uma cidade em que as pessoas vivem com pouco, o filme retrata mais do que a fé das pessoas na melhora de vida, mas é um ponto de partida para pensarmos na força que têm a mídia, fé, capitalismo e a sociedade.


No filme ou na vida real, muitos têm fé.  Temos muito sonhos, e precisamos acreditar neles para que possivelmente eles se realizem.  No filme, Beto sonha em ter uma moto; sua filha, Silvia, sonha em ser locutora de rádio; Carmen, sonha em comprar amido, pagar a conta de luz e que sua filha seja uma locutora de rádio. Durante todo o filme vemos a fé permeada na vida das pessoas, que sonham em melhorar de vida. Mas é algo que parece impossível numa cidade esquecida pelo mundo, mas que, infelizmente, lembrada pelo Papa. A ida do Papa a cidade de Melo é motivo de esperança para as pessoas, de prosperar de vida. Mas, não por acreditar em um milagre que mudará tudo, mas que a ida do Papa a cidade fará com que milhares de outras pessoas irão também, e é visto nisto uma chance de ganhar dinheiro vendendo água e comida. Beto vai no sentido contrário, e constrói um banheiro e cobrará pelo seu uso durante a visita Papal.

Se temos três poderes oficiais, alguns dizem que a mídia é o quarto. E não é algo que se duvide, realmente. É noticiado no filme que milhares de pessoas vão para Melo, e como não acreditar nisso? Passou na TV. Alguns até se endividam para comprar os materiais necessários para fazer as comidas. Quando se constata que todo esse trabalho que tiveram foi em vão, e que essa esperançosa visita foi um fiasco, alguns desacreditam de tudo, novamente. Uma das cenas mais lindas do filme, que apesar da situação não ser tão linda quanto, é quando o repórter fala que a visita do papa foi um sucesso, e que a cidade deseja que ele volte novamente; nesse momento Beto está num bar junto com seus amigos, e ele sempre retruca falando que realmente não foi nada daquilo que aconteceu. Por ficar tão enfurecido com tanta mentira ele joga uma garrafa na televisão.

Sem títuloO filme é, além de tudo, uma história de amizade e de uma vida simples – nem por isso pior – no interior. Gosto muito de falar sobre cidades do interior, principalmente pelo fato de eu ter vivido em uma boa parte da minha vida. Como percebe-se no filme, tudo acaba se tornando mais fácil, apesar de difícil. É um vizinho que empresta uma xícara de açúcar, é uma vizinha de porta que de tanta intimidade chega em sua casa sem avisar que está indo – não que isso seja ruim. É uma forma de vida em que vemos que o dinheiro não compra tudo. Você pode ir no supermercado e comprar um pacote de açúcar, e quando ele acabar você ir lá comprar outro. Mas, uma coisa posso te garantir: é muito mais prazeroso ir na casa de um vizinho pedir açúcar emprestado para fazer café, e ficar por lá para beber um pouco de café e ouvir boas histórias.

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