As memórias guardei todas no disquete

Eu fui uma pessoa bem tardia em começar a mexer com computador e outras parafernálias tecnológicas. Como eu cresci numa cidade bem do interior mesmo, era difícil ter acesso às tecnologias no ido ano de 2008. Por esse atraso, quando ganhei meu primeiro computador fomos eu e minha mãe começar um curso de informática.

É estranho perceber que antes fiz curso para aprender a mexer com computador, e hoje as coisas são tão mais fáceis. Ainda é necessário estudar para saber formatar um computador ou mesmo a construir um nem que seja assistindo tutoriais, ou até mesmo para aprender a mexer em um. Mas quase não se faz mais necessária a técnica “ASDF” para se aprender a digitar rapidamente. Se digitar catando milho funcionar, vai nessa, apesar de ser esteticamente feio para alguns, dá para se conseguir razoavelmente escrever um artigo, poema ou só mais um texto no Facebook.

Minhas memórias guardei todas no disquete. Ao menos durante a época do curso. Onde será que eles foram parar? Os disquetes, eu pergunto, não as minhas memórias. Sumiram, assim como quase tudo na vida. Tenho sorte de minha memória não se tornar obsoleta a cada tecnologia melhorada. Ainda bem que consigo guardar as memórias da época em que aprendi a mexer em computadores e a guardar as memórias no disquete.

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Nossa relação está balançada, e não sei o porquê

Comecei a escrever esse texto no início do ano. Mas decidi não postar sem antes refletir sobre o tema. Acho que foi necessário esse tempo pra amadurecer o que eu pensava, e mudar algumas ideias que eu tinha.

Tenho observado que cada vez mais pessoas que conheço estão optando por ficaram menos tempo online e mais tempo offline. Algumas desativam por um tempo suas contas nas redes sociais; outras, simplesmente apagam.

Faz algum tempo que estou querendo falar sobre esse assunto, mas hoje foi o momento em que me senti deliberado a escrever sobre isso diante do que tenho visto nas últimas semanas.

Eu sou uma das pessoas que passam boa parte do dia nas redes sociais, apesar de nos últimos dias estar tentando me desligar mais da internet por achar que esse tempo que passo conectado em nada me contribui.

Minha relação com as redes sociais foi sempre, de certo modo, benéfica: leio textos que as pessoas compartilham, e que, de fato, me acrescentam algo. Além de ser um meio em que descubro novas bandas, conheço novas pessoas, etc. Quando criança sempre ouvia pessoas mais velhas falando que temos que tomar cuidado com a internet, pois vamos encontrar apenas besteiras. Tolinhos. A prova disso são pessoas mais velhas que quando começam a acessar a internet ficam fascinados pela quantidade de informação que são possíveis de serem encontradas, e pelo contato mais fácil que eles podem ter com um sobrinho que mora em outro estado, por exemplo.

Não sei se isso se trata de uma modinha. Na verdade, não gosto de caracterizar as coisas como modinha, pois esse termo acaba tendo um sentido pejorativo. Mas, enfim.

De fato, um dos benefícios das redes sociais é nos tornar mais criativos. Mas isso depende muito do que vemos, clicamos e lemos.

Há algum tempo estou tentando ficar mais off do que on. Reconheço que os inúmeros textos que leio diariamente, os videoclipes, filmes e séries que assisto ou mesmo falar com amigos que não posso encontrar pessoalmente todos os dias são momentos que não devo considerar desperdiçados. Até pelo fato da profissão que escolhi ter, posso falar com certeza que até ver GIFs podem me ajudar como profissional. Acredite, é verdade.

Durante o tempo que fiquei pensando em como terminar esse post, resolvi terminá-lo ao ler um texto no blog da Contente, escrito pela Luíza Voll. Acho que a decisão de estar menos conectado pode não ser a melhor, ao menos pra mim. Mas fazer com que esses momentos online sejam de reflexão, e não apenas de ver coisas rasas, sem profundidade, e que nada me acrescentam. Como aquela foto de um prato de comida (ainda postam esse tipo de foto?) que você tira todo dia, e que pra mim nada acrescenta.

O dia passa tão rápido. É faculdade, trabalhos, ócio, que desperdiçar a maior parte do tempo com coisas inúteis (não sei se é a melhor palavra, mas vai) não vale a pena. Acho que a partir de agora é um momento de buscar coisas que me façam refletir, mesmo que isso seja ficar pensando por minutos em uma foto do FFFFOUND!. Termino esse texto achando que estou me contradizendo em alguns momentos. Mas o mundo é uma verdadeira laranja paradoxal. Um momento também de ir atrás da internet que eu quero pra mim. Quando eu achar, te falo.