Ligações opostas

Uns dizem que mente vazia é a oficina do diabo. Acredito que aqueles momentos de ócio levam nossa mente para um lugar em que ela nunca esteve, fazendo conexões num elevado grau na escala do desconhecido.

É curiosa essa linha tênue que existe entre a escola e a universidade. Além do fato de que muitos sabem a diferença de uma para outra, têm alguns acontecimentos que indiretamente parecem ligar esses dois momentos da vida de algumas pessoas.

Não sei se era assim para todo mundo, mas tenho a sensação de que na escola ficávamos nos perguntando todo início de ano se entraria novatos na nossa sala. Era algo que muitos aguardavam. Hoje, isso me parece algo tolo, mas tem um ponto que acredito ser interessante no que pensei certo dia. Novos alunos na sala, mais pessoas você conhecia, mais amigos você tinha.

Quando você está na faculdade, a cada período que você avança, menos pessoas vai tendo na sua sala. E, diferentemente do que acontecia no colégio, você não “torce” para que entre novos alunos a cada período. No primeiro semestre do curso você nem sabe o nome daquela pessoa que senta no extremo de onde você está, de tão cheia que a sala se encontra. Quando você está na metade do curso, a maior parte se vai. Certamente tomaram uma decisão errada, e foram tentar consertar o erro.

Penso que no colégio você quer ser popular, conhecido, ter vários amigos. E, mesmo sem querer, todos os anos mais pessoas começam a fazer parte da sua vida. Na faculdade, menos pessoas. Menos amigos você quer ter, aquele, que, diferente de um colega, você divide sua vida. Seus colegas de sala vão partindo, assim como as pessoas da sua vida. Soou um pouco trágico, mas não era a intenção. Talvez nesse momento a gente queira que tudo seja assim, quando o menos pode ser o novo mais. Se a gente continua querendo fazer sucesso, não é mais entre os amigos do colégio.

Fotografia: Isabella Veloso

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Pessoas e suas histórias

Gosto de conhecer pessoas. E não me acho melhor nem pior por isso. Se bem que gostar de conhecer pessoas é algo um tanto quanto normal; mas se bem que tem gente que não gosta desse ato prosaico. Gosto de conhecer pessoas no ponto de ônibus, no shopping, no bar – gosto de conhecer suas histórias. Pode parecer bobagem, e não tem a ver com ser curioso, mas saber da vida de outra pessoa é uma experiência deveras interessante.

Quero saber da vida da Ana do café, do seu Zé do estacionamento, da Maria que está na terceira série do ensino fundamental. Conhecer pessoas e saber da sua história é crescer como ser humano. É saber mais das pessoas que te rodeiam. Já dizia Millôr Fernandes: “Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.”. E essas sim, são as pessoas que quero conhecer.

O jornalista Gay Talese disse em uma entrevista ao canal Globo News que é melhor conversar com pessoas anônimas pois se perguntadas algo elas falam o que realmente pensam, já um famoso, muitas vezes – entenda-se muitas vezes por sempre – diz o que dizem pra ele dizer.

Conversando com uma conhecida, ela me disse da labuta que é cuidar de seu filho doente. De ter que levar ao médico, pegar vários ônibus pra buscar o remédio gratuito, e das mais várias complicações que ela tem que lidar todos os dias. Depois dessa curta conversa, parece que tanta coisa vem à tona. Às vezes eu reclamo tanto da vida, que tantos fatos acontecem diariamente pra que, talvez eu pare com essa lamúria. Ninguém disse que a vida é fácil. Pra uns é mais, pra outros, menos. É só saber dar aquele jeitinho quando algo ficar inaturável.